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OPINIÃO

João Luiz Kohl Moreira

29/08/02


As Constantes Universais Revisitadas

Em um artigo passado (As "Constantes" Universais), fiz alguns comentários acerca da eventualidade de algumas grandezas cujos valores numéricos determinariam as características de nosso universo e que poderiam estar variando no tempo. Chamei a atenção, igualmente, para a diferença conceitual entre as constantes que definem a natureza de um fenômeno e meros fatores de conversão entre as unidades das grandezas envolvidas.

O que aprendi, recentemente, é que alguns físicos teóricos são ainda mais radicais. Mesmo as que eu chamei de "constantes naturais", em oposição àquelas para simples transformações de unidades, são relativisadas na teoria. "Constantes naturais", de fato, seriam apenas as adimensionais, e entre elas a única que listei no artigo passado, foi a constante de estrutura fina, ou "a". Todas as outras, a saber, a constante de Plank, "h" que dá a dimensão do mundo microscópico, a velocidade da luz "c", limite máximo da velocidade no vácuo, a constante gravitacional "G", a carga do elétron "e", a constante de Boltzman "k" (esta eu já havia descartado do rank das "naturais"). Todas estas constantes são consideradas "dimensionais", ou seja, meras instâncias introduzidas pelo homem para tentar associar grandezas.

Considerar constantes como características do universo e independente da manipulação humana, somente aquelas de natureza adimensional. A constante de estrutura fina é uma delas. Outras seriam: as constantes de acoplamento "ai" (das quais a própria constante "a" é um exemplo); ângulos de mixing, e relações de massa "bi", todas usadas na teoria de partículas elementares.

Tal questão foi levantada pelo físico teórico Dr. Michael Duff, de Michigan, E.U.A. Em recente artigo publicdo na internet (hep-th/0208093) ele se queixa da falta de clareza com respeito a esse particular de algumas publicações, em especial, do trabalho de John K. Webb e colaboradores (1999, astro-ph/0012539) onde os autrores levantam a possibilidade de buracos negros serem capazes de discriminar quas das grandezas envolvidas em a=2pe2/hc estariam variando, de fato. Para esses autores, a constante "a" seria uma mera grandeza secundária em contraste com as "reais" constantes, "e", "h" e "c". Essa consideração fez espécie em M. Duff que se pôs ao trabalho de escrever um artigo de esclarecimento. Para ele, portanto, a questão de discriminar quas são as "constantes" que variam no tempo não se coloca, pois, a única constante natural é a que Webb et al. Consideram como secundária.

No entanto, apesar de criticar o artigo, Duff acha a idéia contida nele como boa, apenas rearranjando as grandezas em questão. Enquanto os autores discutem a entropia de um buraco negro em termos de grandezas dimensionais, Duff rearranja tudo e coloca essa mesma entropia em função de grandezas adimensionais. A discriminação passou a ser não mais com respeito à carga do elétron, velocidade da luz, constante de Plank etc, mas sim em termos de constantes de acoplamento, da relação de massa e carga.

E assim fica dito!