As “Rochas Perambulantes”: Enigma Decifrado

 

João Luiz Kohl Moreira

COAA – Observatório Nacional – MCT

 

Parece assunto para os “Ghost Busters”, os famosos “Caçadores de Fantasmas” de Nova York, eternizado no famos filme, ou do programa “Ghost Hunters” do canal de TV por assinatura SyFy. É o que faz pensar à primeira vista o fenômeno que ocorre em “Racetrack Playa”, um lago seco do Vale da Morte, a cerca de 470 km a nordeste de Los Angeles na California. Lá, da noite para o dia, pedaços de pedra, algumas de porte razoável, são deslocadas de suas posições originais, deixando rastros no seu caminho (vide foto).

 
 

Quem, ou o quê faria isso? Do que se trata? Uma brincadeira de mau gosto? Algum animal desconhecido a deslocar essas pedras por algum motivo? Como diria o poeta, “não é para mentes fracas”, pois, alguns, facilmente, poderiam produzir alguns “fantasmas” do além para explicar o fenômeno. Ou atribuir a um “trote” de E.T.'s moleques que introduzem mistérios que nós, pobres humanos, não teríamos como desvendar.

Situado a 1.130 metros acima do nível do mar, o Vale da Morte apresenta paisagem desértica, como normalmente se encontra aquela região do Estado da California. Relatado no início da segunda metade do século passado, o misterioso deslocamento de centenas de pedras de Racetrack Playa atraiu a atenção de geólogos e meteorologistas. Hipóteses não faltaram (salvo a de 'forças do além'). Porém, nenhuma delas satisfazia a exigente comunidade científica, que se resignava com uma explanação baseada em uma combinação muito especial entre vento e chuva. Não era suficiente. Faltava um “estalo”, uma idéia genial, simples e bem à frente de todos a provocar a exclamação: “Por que não pensei nisso”?

Uma pesquisa, inicialmente sem muita pretensão, levada por dois primos, Richard Norris, um oceanógrafo e James Norris, engenheiro, ambos da California e um cientista planetário, Ralph Lorenz, do estado de Maryland, este, interessado em eventuais fenômenos relacionados em outros planetas, pôs esses três em Racetrack Playa na alvorada de um belo e gélido dia de dezembro de 2013. Seu trabalho era instalar aparelhos de GPS em rochas candidatas aos misteriosos “passeios”, quando observaram que uma fina camada de gelo, formada no leito seco do lago, iniciou a se fraturar sob a ação dos raios solares. Em seguida, por ação do vento, eles assistiram os pedaços de gelo começarem a empurrar lentamente os pedaços de pedra. O movimento era muito lento, “uma criança moveria mais depressa essas pedras” disse R. Norris. Ao final da tarde os pesquisadores puderam constatar os rastros deixados pelo movimento.

Desfez-se o mistério. Fenômeno semelhante já tinha sido constatado em 1952 quando as companhias telefônicas tiveram que lidar com os “gelos empurrantes” no Estado de Nevada que chegavam a desenterrar torres de transmissão telefônica.

Será preciso investigar mais para dar a todos os eventos de deslocamentos de rochas em Racetrack Playa a explicação baseada no que o trio de cientistas observou, no entanto, como constata R. Norris, já foi dado o contexto científico para a descrição dos eventos.

Místicos e ufólogos terão de procurar outros fenômenos ainda inexplicados para explorar suas imaginações.